terça-feira, 24 de maio de 2011
Vazio Silencioso
Pude sentir o vazio e o silêncio
O vazio de quando o chão se abre em fendas
E se desfaz diante dos olhos e abaixo dos pés
Quando tudo faz-se queda interminável
Pude sentir o silêncio de perguntas respondidas
E das verdades que, quisera eu, fossem mentiras
Pude sentir o vazio crescer e me tomar o corpo
Todos os membros, todas as veias
Pude sentir o silêncio emudecer meu coração
Parar minha respiração
E por instantes não senti nada, amortecida e sedada.
Lentamente o vazio encheu-se de sangue
E do silêncio fez-se o grito e dele fez-se o choro
Pude sentir o sangue e o choro.
E sabia que, dali em diante, era só o que sentiria.
Marília M.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Gotinhas...
Marília M.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pedidos

Peço coragem para tomar decisões e abarcar as consequências.
Peço calma para lidar com os problmas e sabedoria para encontrar as soluções.
Peço humildade para pedir ajuda. Peço sensibilidade para perceber quando precisam de mim e resignação para não esperar nada em troca.
Peço luz para escolher meu caminho e para voltar ao início caso tome o errado.
Peço a preparação para a luta, e não a batalha ganha.
Marília M.
Dias difíceis, tempo difícil.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O ser que sou

Alguém mais vê que tem alguma coisa errada aí?
Obviamente não me oponho a uma boa alimentação, a saúde e aos cuidados próprios.
Me oponho à prisão.
O corpo cultuado como objeto único de preocupação, como seu cartão de visitas e como espelho do seu caráter, como sua mente, seus sentimentos, seu interior...seu corpo como você. Você é só e somente só o seu corpo? Pois eu não. É parte de mim, como todas as outras partes que possuo. Se perder um braço, continuarei sendo eu. Se minhas pernas paralisarem ainda serei eu. Mesmo imóvel, sou eu. Eu sou mais que isso. Mais que só o corpo que entra em contato com o mundo. Passo, ultrapasso.
"Eu faço só quatro horas de academia por dia!" Por favor, você pode me explicar..por que?! Por que é que você, com um corpo normal, gasta quatro horas do seu dia, todos os dias da semana...fazendo tours por aqueles aparelhos? Diga-me se são milagrosos...são? São transformadores de personalidade? Eles podem te transformar em alguém menos futil, mais crítico? Não? Então eu não entendi...
Essa corrida desenfreada atrás da ilusão da diferenciação. Isso, ilusão. Nunca teve a horrível sensação de estar andando em meio a pessoas basicamente...iguais? Eu já. E foi assustador...Padrão. Esconde-se as cicatrizes, o cabelo, a cor dos olhos, o tamanho do busto. Pessoas fabricadas.
Eu sou minhas cicatrizes no joelho dos tempos de criança. Sou a manchinha verde no meu braço direito que todos acham muito estranho. Sou meus 1,63 de altura e meus olhos castanhos. Mas eu sou mais que isso...Também sou as lágrimas que chorei por todos os tombos e os sorrisos que dei por todos os carinhos. Sou as cartas que escrevi, os sentimentos que falei e também os que escondi. As críticas e os elogios fazem parte de mim. Assim como meus amigos, meus pais, minha família, meus amores. Eu sou tudo o que me fez e me faz. O que o passado me tornou e a minha disposição para mudar. Eu sou meus medos, minhas conquistas, minhas angusitas e alegrias.
Eu sou mais, muito mais do que seus olhos podem ver e do que as palavras podem descrever.
Marília M.
Foi sim um texto de desabafo, inspirado pelo texto "Da Ascese à Bio-Ascese" de Francisco Ortega. São também desse texto, as citações seguintes:
"Força, rigidez, juventudo, longevidade, saúde e beleza são os novos critérios que avaliam o valor da pessoa e condicionam suas ações."
"O corpo torna-se o lugar da moral, é seu fundamento último e matriz da identidade pessoal."
Recomendo imensamente a leitura!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Bem Vindo
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Silêncio
domingo, 25 de outubro de 2009
Sonho
O luar empalidece a pele morena
E empresta seu brilho às curvas do corpo
O contraste de luz e sombra o envolve de mistério e beleza
Em movimentos delicados e suspiros profundos
Seus braços se movem lentamente
Leva as mãos aos cabelos e seus dedos mergulham entre eles
Mais suspiros...
...e agora sorrisos...
De olhos ainda fechados, sussurra o nome
Daquele com quem sonhou
...de novo...e de novo
Vira-se e o abraça...
Ele está ali, dorme e respira profundamente
O sonho da madrugada foi apenas uma lembrança do dia anterior
Adormece novamente, enlaçada por seus sonhos...e os braços dele.
Marília M.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Que será, que será...
"Cecília, como sempre, subiu ao palco resoluta. Mergulhada em aplausos do teatro lotado, caminhava suavemente até o centro. A suavidade era sua marca, presente em seus gestos, seu andar e sua tímida voz. Deslizava com seu vestido azul claro como se estivesse entre nuvens, e a leveza do vestido contribuía para a atmosfera branda que pairava sob o palco.
Entre os burburinhos, empunhou o violino. Era a ordem de silêncio. A platéia calou-se de imediato, aguardando ansiosa e atenta o início da performance. O foco de luz limitou-se a Cecília, abandonando em breu o resto do palco. E então o espetáculo começou. A música vinha calma, como uma extensão da própria violinista, uma sucessão melodiosa de notas saltitando pelo ar. A composição era de sua autoria, a obra mais verdadeira que já havia criado. Não foi pensada e nem planejada, simplesmente fluiu, em um momento em que nada fluía.
Dos assentos era impossível ver a feição de Cecília, que mudava juntamente com a música. O que calmo era transformou-se em intenso, forte e rápido. Para alguns, essa era a prova do inestimável talento da violinista. Sua capacidade de brincar com os dedos tirando do instrumento as mais variadas e aparentemente incompatíveis melodias para depois, de forma divina, juntá-las em uma obra só, surpreendendo a todos com a beleza nascida ali."
Parte de alguma coisa que ainda não sei o que é, talvez continue...
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Dia de chuva
No céu as nuvens pairam escuras e densas, com um aspecto que à outros olhos é assustador e aos meus, é sublime. O olhar mira o alto suplicando o melhor, torcendo pelo melhor. E ele vem. Vento, trovão, chuva. Solto os cabelos e fecho os olhos, permito-me sentir o movimento caótico do vento, mudando alternadamente de direção e força. As gotas de chuva caem frias no rosto, nos ombros. Como vários beijos, recebidos pelo corpo quente com suaves arrepios. O aroma, o som. A terra molhada e a sinfonia de gotas em folhas, galhos, pessoas. Há de mim, suspiros de satisfação, o momento faz-me plena e plena permaneço enquanto durar o momento. Uma alegria possível, esporática mas, ainda assim, possível.
Marília M.
sábado, 8 de agosto de 2009
Requiem
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Passou
A presença da ausência
Tudo é falta e falta tudo
Um dia onde o vento não sopra
Mudo.
Respiração nostálgica dos dias passados
Sente-se encher os pulmões de dias que não voltam
E esvaziá-los com dor e lentidão
Com o esforço inútil de agarrar-se ao minuto
Dia de memórias, dia de passado.
Não voltam...
Marília M.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Horas
E que eu queria que fossem anos.
Na intensidade dos segundos que passaram, a leveza dos olhares que se cruzavam.
Assim, como quem não quer nada, mas que diz tudo sem falar.
Regados a meia taça de vinho, a risadas, a toques ansiosos...e suaves.
Abraços que pediam pra ficar mais um pouquinho, só mais um pouquinho.
Cara de pau, me aproximava.
E sentia. Como se as imagens inundassem os olhos pela primeira vez, como se o som vibrasse pela primeira vez, como se vivesse pela primeira vez.
Sentia, como criança que se apropria do novo mundo.
Tornou-se inesquecível.
Lindas horas. Exultantes horas. Expressivas horas.
Finitas.
Se foi e não voltou.
Fiquei. Por mais algumas horas...e fui também.
De volta ao comum, onde as horas são só horas.
Marília M.
sábado, 30 de maio de 2009
Gente
Todos os dias passo pelo motorista, passo pelo cobrador, passo por pessoas.
Sem quase olhar nos olhos, sem quase dirigir a palavra, sem quase...
Sento ali no lugar vago, qualquer um, não me importo.
E quem se importa?
O que o outro do seu lado pensa?
Quem ele é?
O que faz?
De onde vem?
Pra onde vai?
O que é que sente?
Com o que será que sonha?
Quais seus segredos?
Será que pensa, desse mesmo jeito que eu, no que será que os outros estão pensando?
Um dia ofereci uma bala à um vizinho de banco... me olharam feio.
Olhares que me acusavam de um crime que nem eu sei qual foi.
Me acusavam de tentar diminuir o tédio de uma viagem longa, cheia de buzinas, carros, semáforos e gente apressada.
Me acusavam só por me aproximar, fazer contato, dar um sorriso, ser humana.
Acho que tem gente esquecendo como faz pra ser gente.
Gente antes do trabalho, gente antes da idade, gente antes do gênero, gente antes da profissão, gente antes de tudo.
E assim desço do ônibus. Sentindo falta de ser gente.
Se me encontrar por aí, no meio dessa vida sem vida, diga oi.
Eu te conto como foi meu dia, você me conta como foi o seu, falamos de livros, de filmes, de música, de poesia, de como foi chata a sua semana!
E então continuaremos a vida, agora um pouco mais viva, sentindo enfim, que ainda tem gente por aí.
Marília M.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Não
Boneca de pano com enchimento de feltro
Não sirvo de joguete, palhaço de enfeite
Não sou objeto pro teu desejo
Não me use pra suprir a falta
Nem me trate como se fosse nada
Porque dentro desse corpo tem alma!
Eu sou. Eu sinto e sou.
E sou sem você mandar
Sem você querer, sem precisar.
Tua necessidade não é base da minha vontade
O teu querer não é o meu
E o meu mundo, menino, não é teu.
Marília M.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
O meu real

A imaginação nunca me deixa...
Irreal. Surreal. Não real.
De mãos dadas, fazendo com que eu me sinta melhor.
Um mundo inteiro debaixo da minha pele
Que invento e desinvento, crio e remonto...
A hora que eu quiser.
E ninguém tem nada com isso!
Fuga.
Exato.
É uma fuga.
De tudo que é real e não me agrada.
De tudo que me rasga e faz brotar lágrima.
Meu universo paralelo.
Minha realidade.
Minha forma de ser mais feliz.
Marília M.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Gotas
Gotas sem fim.
Gotas de luz.
Gotas de dor.
Gotas de paz.
Gotas de amor.
Gotas de raiva.
Gotas de rancor.
Gotas do que eu quiser.


